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Entrevista com Guilherme Braga de Abreu

qua, 20/07/2016 - 11:11 -- Leila Pinho
Créditos: 
Fotos: Alle Tavares
guilherme braga abreu no hotel ibis

Representando em torno de 120 associados, entre hotéis, restaurantes e comércios, Guilherme Braga de Abreu assumiu a presidência do Macaé Convention & Visitors Bureau (Macaé CVB) em junho deste ano, com o desafio de propor alternativas para toda a cadeia de turismo da cidade superar o momento de baixa, devido à crise.

Consciente de que a situação difícil deixa como recado a necessidade de estimular mais o turismo de lazer no município, Guilherme fala da importância de trazer eventos grandes para Macaé e aproveitar a robusta infraestrutura hoteleira que a cidade já dispõe. Em entrevista para a equipe da Revista DiverCidades, no Hotel ibis, ele conversou sobre alguns projetos futuros do Convention Bureau, um grande evento de cultura japonesa que será realizado ainda este ano e como pretende colaborar com o desenvolvimento do turismo macaense.

DiverCidades: Numa entrevista para o Portal DiverCidades em 2013, o então presidente do Macaé CVB disse que o turismo de negócio representava 85% da ocupação na rede hoteleira da cidade. Qual é a realidade hoje?guilherme braga abreu

Guilherme: Com esta fase difícil que estamos passando, a rede hoteleira está em torno de 45% de ocupação (total) que continua sendo de turismo de negócios, sendo que este ano foi bem atípico, porque durante o Ano Novo, no verão e no Carnaval, a rede hoteleira teve 25% de ocupação com turismo de lazer. Isso nos surpreendeu porque não acontecia isso em Macaé. A rede hoteleira tinha praticamente 80 a 90% de ocupação de turismo de negócios e, nesse verão de 2016, recebemos essa notícia com muita alegria. É um dado muito bom porque estamos trabalhando para isso. O município não pode viver só de turismo de negócios. Por um lado, essa fase ruim foi boa porque conseguiu fazer a rede hoteleira se preocupar mais com turismo de lazer, começando a se movimentar para trazer eventos e criar incentivos.

DiverCidades: Antes, havia grande preocupação com a redução da sazonalidade nos hotéis. Os hóspedes ficavam na cidade durante os dias úteis e no fim de semana ocorria um esvaziamento. Hoje, qual é a principal preocupação?

Guilherme: A nossa preocupação hoje é ainda manter as pessoas que chegam no início da semana e na quinta-feira já estão viajando para algum lugar, as pessoas de turismo de negócios, e trazer as pessoas do entorno como Rio das Ostras, Quissamã, Conceição de Macabu, Barra de São João, Carapebus e até Búzios e Cabo Frio para visitar Macaé.

Até porque, nesta época do ano, nessa região, as pessoas não têm tantos atrativos e eventos. Hoje, estamos focados em trabalhar para trazer as pessoas das cidades circunvizinhas a Macaé para se hospedar com uma tarifa que está sendo um diferencial no Estado do Rio. Nós temos a segunda maior rede hoteleira do Estado e Macaé está praticando tarifas muito baixas, em torno de 35% abaixo do valor que se praticava há 2 anos. Então, hoje o incentivo para o turista visitar Macaé é muito grande porque nossa rede hoteleira é de excelência e o preço está muito acessível. A maioria dos hotéis tem vista maravilhosa e temos grandes redes hoteleiras instaladas na cidade.

DiverCidades:  Que recado direto a crise está dando para a rede hoteleira?guilherme braga de abreu

Guilherme: Hoje, a rede hoteleira tem três opções de turista: o de negócios, o de lazer e o terceiro que é o turista que veio visitar a família, teve uma feira, um congresso. Hoje, estamos focados em atrair feiras e congressos para cá e todos os tipos de eventos. Temos o segundo maior Centro de Convenções do Estado, ficando atrás apenas do Rio Centro, e essa estrutura é pouco utilizada. É usada para a Brasil Offshore e para um show ou outro. Nosso objetivo é trabalhar esse equipamento de Macaé que o poder público nos colocou à disposição para trazer eventos de grande porte, aproveitando a rede hoteleira com a tarifa baixa. A cidade do Rio de Janeiro já está super lotada com eventos desse tipo e hoje já é difícil encontrar datas, então o Convention Bureau vai atuar para buscar esses eventos que não cabem mais nas grandes capitais.

DiverCidades:  O que falta para que o Centro de Convenções seja usado com mais eficiência?

Guilherme: Precisamos estar unidos, tanto a iniciativa privada quanto o poder público para usar os esforços e atrair os eventos que não têm mais agenda nas grandes capitais. Digo que hoje, precisamos estar todos unidos, que assim vamos conseguir passar pela fase ruim em curto tempo.

DiverCidades:  Macaé tem muitos potenciais turísticos, tanto na serra quanto no mar. O que falta para a cidade atrair mais turistas?

Guilherme: Sou apaixonado pelas praias da nossa cidade e pela nossa serra que é muito rica, tanto na biodiversidade quanto nas belezas naturais. Temos cachoeiras lindas, pássaros de variadas espécies, animais de grande porte, etc. A região serrana é pouco divulgada no Estado. Fala-se muito no Sana, que hoje está muito bem em termos de visitação turística. A intenção agora é incentivar também a visitação ao Frade, Glicério, Bicuda Pequena, Bicuda Grande, Óleo e Trapiche. São belezas nossas que muito macaense não conhece. Vamos fazer reuniões com pousadas da serra macaense para atrair mais investimentos no intuito de que esses estabelecimentos possam investir mais em infraestrutura e em divulgação.

DiverCidades:  Em várias outras cidades do Brasil há produtos turísticos bem formatados. Macaé tem algum?

Guilherme: Estamos formatando o calendário turístico de Macaé. O calendário já existe, com vários eventos como o Festival Gastronômico dos Cavaleiros, o de Food Truck que já é sucesso e tem o festival de frutos do mar. Então, dentro desse calendário, já existem alguns eventos marcantes. Estamos construindo nas datas vagas, novos eventos para a cidade. Hoje, já estamos trabalhando para formatar o nosso produto turístico tanto da cidade, quanto da serra macaense.

DiverCidades:  O Macaé CVB tem já eventos planejados para este ano e o próximo?

Guilherme: Teremos o Haru Matsuri, que significa festival de outono, um evento de formatação anual, de cultura japonesa. Vamos trazer colônias japonesas e a intenção é trazer essas pessoas com o apoio do Consulado Japonês. O evento será dias 8 e 9 de outubro, evento cultural e esportivo que vai contar com 400 atletas convidados do Estado do Rio e de outros Estados brasileiros e será o único evento do Estado do Rio chancelado pelo Consulado Japonês. Receberemos uma comitiva do Consulado que vai apresentar peças da cultura japonesa. Virá um caminhão de produtos japoneses e será montada uma exposição no Centro de Convenções. Esse evento terá o envolvimento do Sr. Shiro Matsuda, porque ele faz todo ano um evento em Macaé com apresentação de luta e que mostra a cultura japonesa.

Além disso, estamos planejando um evento, que ainda não posso divulgar muitos detalhes, que em todo o interior do Estado do Rio nunca foi feito. Será um evento grande para quatro ou cinco dias, para provavelmente ser realizado no ano que vem. A ideia é ser periódico.

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