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Histórias de macaenses

ter, 30/07/2013 - 11:10 -- Divercidades
Créditos: 
Arquivo pessoal de Denise Rangel
Turma na praia na década de 1980

Com o aniversário de 200 anos de Macaé, a cidade é convidada a fazer um resgate de sua história por meio de documentos, registros e fotografias. Ações e eventos das comemorações do bicentenário relatam e perpetuam a história oficial, aquela que é coletiva, impessoal, descritiva e de importância comum a toda a sociedade.

Estas ocasiões também conduzem os moradores ao passado e os fazem recordar das memórias, aquelas afetivas, impregnadas de subjetividade e poesia. A história protagonizada pelo sujeito faz importante ponte com a história oficial quando traz à tona traços do comportamento social da época e características do lugar. Também por isso, vale a pena ser contada.

Três macaenses comemoram a chegada dos 200 anos e contam um pouco de suas memórias.

Varandão – ponto de encontro de toda uma geração, por Edson Torres de Castro Filho

“Dos anos 80 até o final dos 90 tínhamos o Varandão, lá em Imbetiba. Imbetiba era o lugar onde todo mundo se encontrava em Macaé e o Varandão fazia parte disso. Tinha cliente que reservava mesa no Varandão para o ano todo. Era um negócio de família, meus filhos e os filhos do meu irmão foram criados lá. Eu ficava na parte administrativa e tomava conta da cozinha. Minha mãe (Madalena Castro) era a chefona e coordenava tudo. Meu irmão (Jorge Luiz Gomes de Castro) ficava responsável pelo som da discoteca e o apelido dele era Bocoió e vovô (Messias de Castro) ficava na bomboniere e tabacaria. O Varandão começou como restaurante piano bar e o Lucas Vieira, autor da música do hino de Macaé, se apresentava lá.

Arquivo pessoal da família Castro

pessoa na tabacaria na década de 1980 em MacaéDepois de um tempo, a garotada começou a querer um lugar para dançar. Então, o espaço do piano bar virou uma discoteca e Varandão era o nome da discoteca. Hoje o nome é diferente, acho que chamam de boate, mas, na época era discoteca. Tinha também as escadas (1, 2 e 3) no calçadão que dava acesso à praia de Imbetiba. A garotada encontrava-se nas escadas e depois ia para o Varandão. A parte de trás era a discoteca e a parte da frente o bar e o restaurante que a garotada apelidou de Varandinha. A discoteca era Varandão e o bar era Varandinha.

Na discoteca,  vi muita gente casar e descasar. Mas, o mais importante é que o Varandão era um ambiente familiar. Os pais da garotada ligavam pra gente perguntando a que horas a discoteca ia acabar para buscar os filhos. Muitas vezes eu deixava a garotada em casa. Não custava nada, muitas vezes eles moravam perto da minha casa. Hoje você vai no Cavaleiros e não conhece mais ninguém. Eu sinto que foi o momento mais feliz da minha vida em termos de trabalho. Era desgastante porque trabalhávamos muito, mas, era muito gostoso. O ambiente era muito familiar. Esta também foi a melhor fase da vida de muita gente que hoje tem 45 a 50 anos. Os macaenses da época sabem disso. Só quem viveu na época sabe como era aquele lugar.”

A turma de motoqueiros de chapéu de palha, por Denise Rangel

“Quando eu tinha uns 14 anos papai me deu uma moto. Isso foi em 1978 ou 1979. Macaé devia ter uns 50 mil habitantes na época. Tinha uma turma grande que tinha moto, uns 30 adolescentes. O delegado da época perseguia a gente porque não usávamos capacete. Ele obrigava todo mundo a usar capacete. Éramos menor de idade e ele (delegado) achava um absurdo os pais darem moto para os filhos menores. Mas, naquela época, não tinha perigo andar de moto. A gente só queria curtir e não tinha nada demais.

Arquivo pessoal de Denise Rangel

jovens da década de 1980O pega pra capar mesmo dessa história aconteceu nas férias. Só para aporrinhar a ideia desse delegado compramos chapéu de palha e passávamos em frente a casa dele na avenida Rui Barbosa, fazendo um barulho absurdo com as motos e com os chapéus na cabeça. Eram várias motos. Tinha Push, Garelli, TT, CG, Cinquentinha e outras. O cano de descarga tem um miolo que quando retirado faz um barulho infernal. Pois a gente passava na casa do delegado sem o miolo do cano de descarga. (risadas) A Rui Barbosa era a rua principal da cidade e tudo acontecia ali. Lembro que o prédio de 10 andares era o maior da época e por causa disso virou ponto de referência. Quando lembro de tudo isso me traz uma coisa muito boa da minha adolescência. Nesse tempo não tinha atropelamento e a gente ficava solto em Macaé. Era como se a cidade fosse um grande quintal. Muita gente fez parte dessa história como Maurício Paraguassu, que hoje mora em Rio das Ostras; Luciana Coelho; Giovana e Augusto Cesar Sorage, que é médico em Macaé; Carlos Eduardo Paraguassu, conhecido como Ducal; Luiz Eduardo França; Ana Lúcia Abreu, que também é médica na cidade e tantas outras pessoas.

Essa história terminou, pelo menos comigo, quando peguei a moto escondida do meu pai e fui dar uma volta. O delegado começou a me perseguir com a "joaninha" da polícia (Fusca). Eu me desequilibrei e acabei queimando a perna na moto. Depois disso nunca mais quis saber de moto. Aos poucos a turma foi perdendo o gosto por andar de moto de tanto que o delegado perseguia a gente.”

O estilo inglês do The Pub em Imbetiba, por Sandra Lima

“Na década de 80 eu trabalhei como bartender no The Pub, um típico pub inglês que ficava na rua do Sacramento, em Imbetiba. Os donos e sócios eram ingleses. O lugar era muito diferente dos outros bares da época e foi ficando muito famoso, saiu até na mídia. O The Pub era diferente, era uma casa com três salões e em um deles funcionava o jogo de dardo. Aconteciam várias competições de dardo no The Pub e eram disputadíssimas. As mesas eram feitas de pés de máquinas de costura antigas com tampo de mármore e cadeiras de madeira. Para a época esse tipo de mesa era novidade e muito diferente. O balcão do bar era enorme e eu preparava os drink´s sacolejando a coqueteleira. O The Pub era frequentado por jovens, adultos, casais e estrangeiros e era uma referência de diversão na época. Tinha uma ponte com o Lord Jean, famoso pub do Rio de Janeiro. Muita gente vinha de fora para conhecer o The Pub de Macaé. Na área externa havia muitas árvores frutíferas, inclusive a de fruta pão.

Um dia eu e duas garçonetes subimos no balcão e começamos a dançar e o pessoal gostou muito daquilo. Então, nós começamos a fazer shows de verdade. A gente se vestia a caráter e fazia um número. Cada garçonete tinha um número e isso virou a atração do lugar. O meu número era com a música “New York, New York”. Eu dançava com uma cartola, com roupas inspiradas no filme “Cabaret” e ganhava generosas gorjetas. Como tinha muito estrangeiro, recebia muitas gorjetas em dólares. Uma história curiosa que aconteceu lá foi um pedido de casamento. Lembro de que enquanto uma das garçonetes dançava foi pedida em casamento por um estrangeiro. Ele chegou com um ramalhete de rosas vermelhas e a pediu em casamento na frente de todo mundo. Ela ficou espantada com aquilo e não aceitou.

Eu sinto muito orgulho de ter trabalhado lá porque me divertia muito. Foi lá que aprendi a falar inglês britânico. O The Pub vivia lotado e nunca houve uma briga, nem um empurra-empurra. O clima era muito bom, tudo muito tranquilo. Eu tinha algumas amigas que moravam no Centro, iam e voltavam a pé. Nessa época todo mundo andava pelas ruas sem medo. Depois, as donas venderam o The Pub que passou por vários donos, perdendo o glamour e acabou fechando. Na própria década de 80 o The Pub fechou. A residência onde funcionou o bar não existe mais.”

Comentários

Enviado por DUNGA em
SEM COMENTÁRIOS !!!! UMA DELÍCIA DE RECORDAÇÕES !!!! ISSO É O QUE FICA EM NOSSOS CORAÇÕES. VALEU !!!

Enviado por Verônica em
Saudades desse tempo!!! otimas recordações.. lamento só nossos filhos não poderem curti isso...

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