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Envelhecimento saudável

qua, 12/04/2017 - 15:23 -- Leila Pinho
Créditos: 
Fotos: Alle Tavares
maria cecilia, idosa estudando

Sabe aquele idoso típico, que joga baralho, faz tricô e usa as horas vagas para praticar algum passatempo? É hora de quebrar esses estereótipos ultrapassados e abrir o olhar para a diversidade de estilos de vida entre aqueles que chegaram à maturidade. Pode observar, é provável que você ou alguém próximo conheça uma senhora praticante de exercícios e esportes, ou um senhor trabalhador, alguém que contribua para melhorar a vida da sua comunidade ou família e tantos outros casos de pessoas com 60 anos ou mais que estão em atividade (física e ou mental), levando a vida com autonomia e independência. E o melhor: tendo uma velhice saudável e feliz!

Viver muito nunca foi sinônimo de viver bem. Assim como envelhecimento saudável, não significa ausência de doenças. Vai muito além dessas concepções que costumam cercar o senso comum. A Organização Mundial de Saúde (OMS) traz um conceito interessante de “envelhecimento ativo”. “A palavra ‘ativo’ refere-se à participação contínua nas questões sociais, econômicas, culturais, espirituais e civis, e não somente à capacidade de estar fisicamente ativo ou de fazer parte da força de trabalho. As pessoas mais velhas que se aposentam e aquelas que apresentam alguma doença ou vivem com alguma necessidade especial podem continuar a contribuir ativamente para seus familiares, companheiros, comunidades e países”, define trecho do livro Envelhecimento Ativo: uma política de saúde, da OMS.

A professora aposentada Maria Cecília dos Santos Silvestre, 71 anos, acredita na força da alegria de viver como componente indispensável da maturidade saudável. “O saldo é positivo quando a gente encara o lado bom da vida. Com o passar dos anos, a gente aprende a ser feliz com o que tem.” A aposentada diz isso não com conformismo, mas com sabedoria. Segundo a médica geriatra Analucia Jardim, a positividade ajuda mesmo a envelhecer melhor. “A questão da saúde mental é muito importante. Estudos recentes mostram que idosos com pensamento negativo em relação à velhice têm mais propensão de desenvolver Alzheimer”, afirma Analucia.

Maria Cecília não se descuida, em vários aspectos. Pela manhã, malha na academia, à tarde, participa de grupos de oração e algumas vezes durante a semana faz curso de inglês. Como um dos filhos de Maria Cecília mora no Canadá, ela precisa se aprimorar na língua, já que visita o filho, a nora e os netos, com frequência.

médica geriatra analucia jardim Como professora que é, sabe muito bem do valor do aprendizado para exercitar o cérebro. “Temos que aprender coisas novas e sair da zona de conforto. Eu assisto filmes em inglês e coloco a legenda pra, de vez em quando, tirar a dúvida. Quando vou pro Canadá, meus netos me corrigem em inglês e eu os corrijo em português”, fala aos risos. Na fé e na família, ela encontra dois confortos. Maria Cecília se sente mais forte e amparada, através da crença em Deus. E a presença da família representa pra ela uma parte fundamental da felicidade. Ao falar dos dois filhos que tem e do contato com os netos, tanto os que moram no Canadá quanto os de Macaé, ela é só carinho. Pra passar tempo com a família, fazer programas com os netos, ela está sempre disponível.

Conforme a geriatra explica, os fatores para envelhecer com qualidade não são muito diferentes dos indicados para pessoas em qualquer faixa etária: alimentar-se de forma equilibrada, praticar exercícios físicos, evitar o consumo de álcool e o tabagismo, estar inserido na sociedade, se relacionando com pessoas e ter contato com a família. Existem, ainda, dois fatores que são muito relevantes para que os idosos envelheçam bem. “As pessoas envelhecem bem quando têm autonomia, que é a capacidade de escolher e decidir pela própria vida, e a quando têm independência, que é capacidade de cuidar de si mesmo. Esse poder de decisão tem que ser preservado ao máximo. Eu reconheço que um idoso envelheceu bem não porque não tem doença, ele pode ter diabetes, hipertensão, artrose e ser totalmente independente”, esclarece Analucia.

idoso com várias medalhasA autonomia de Sebastião Caldas, de 86 anos, está com todo o vigor, igualzinho a seu dono. Ele escolheu, há 30 anos, correr e participar de diversas competições. Sebastião correu em várias cidades do Brasil, participou 22 vezes da corrida mais tradicional da América Latina, a São Silvestre, e tem um grande acervo de mais de 800 medalhas e troféus. Ele dorme cedo, não fuma, não bebe cerveja, nem toma refrigerante, à noite come só um lanche leve ou mingau e esbanja saúde. O mais impressionante: ele não toma nenhum remédio e anda com a saúde pra lá de em dia.

“Corrida é igual a boiada, a gente leva muito empurrão. Na última vez que eu corri a São Silvestre, teve um trecho da subida da Av. Brigadeiro Luis Antônio, que vi muita gente nova caminhando. O importante é você chegar lá, então na metade do morro caminhei um pouco. O principal da gente é o fôlego. Em corrida, tem gente que chega mancando, sem fôlego nenhum e graças a Deus eu tenho o pulmão bom e nunca levei um tombo”, fala.

O atleta oitentão tem bons conselhos para se chegar nessa idade com saúde e qualidade de vida. “Eu peço pra todos os meus colegas para não beber, não fumar, porque muitos estão morrendo cedo. Falo também pra escolher uma profissão, alguma coisa que gostem e praticar um esporte. Pra mim, os melhores são futebol, corrida e natação”, sugere Sebastião.

família de eunice do nascimento oliveiraJá a receita da aposentada Eunice do Nascimento Oliveira, de 81 anos, é aquele movimento de gente que entra e sai de casa, com a presença constante de amigos e familiares que vez ou outra contam algum caso, compartilham alguma novidade e vão deixando os dias mais afetuosos e cheios de cor.  Ela é macaense e mora há 63 anos na Imbetiba, onde conhece quase todos os vizinhos. É rotineiro encontrar Eunice no hall de entrada da casa com algum amigo batendo papo, porque as visitas são constantes. Os filhos dela também estão sempre por perto e, assim, junto com o marido, ela não se sente só.

“Eu me considero uma pessoa saudável. Tenho doenças típicas de idoso, dor na coluna e diabetes, mas controlada. Procuro levar a vida da melhor maneira, com minha família por perto, amigos e vizinhos. Sei o aniversário de todo mundo de cor. Meu dinheiro é só pra comprar presente”, brinca Eunice.

Ela tem cinco filhos, quatro morando em Macaé, seis netos e quatro bisnetos. “Minha família é muito carinhosa comigo, meus filhos são todos muito bons pra mim. Tem gente que me diz que eles estão, na verdade, retribuindo ao que eu e o Santinho (marido) fizemos por eles”, comenta emocionada.

Muito simpática, ela faz mesmo amizade por onde passa. Habilidosa com as mãos, a aposentada está constantemente aprendendo coisas novas nos cursos de artesanato que participa. Entre um ponto novo, uma técnica diferente, Eunice conversa com uma aluna, com outra e logo já conhece todo mundo. Além da socialização, o artesanato funciona para ela como terapia. “O artesanato dá tranquilidade. Às vezes, estou agitada mas chego na aula e esqueço qualquer problema”, diz.

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