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"Bora botecar?"

ter, 24/04/2018 - 12:35 -- Renatta Viana
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Fotos: Alle Tavares
médico carlos emir jr com verônica do boteco do ivair

São muitos os botecos espalhados pela cidade, cada um com seu estilo, suas histórias, cheios de personalidade e particularidades, garantindo seu espaço e sendo considerados opções de entretenimento. Os frequentadores comentam que um dos maiores atrativos é mesmo a comida. Quem nunca saiu de casa, especificamente, pra comer o aperitivo que só aquele boteco faz? Ou então só para tomar aquela cerveja geladinha, relaxar e bater papo com os amigos? Esses lugares conquistam o público porque o ambiente deixa as pessoas bem à vontade, os preços são acessíveis e o atendimento é informal, daquele jeito bem tradicional no melhor estilo “pé-sujo”, sempre com cerveja gelada e mistura de sabores.

pratos arrumadinho do boteco do ivair em macaé

 

Em Macaé, o Boteco do Ivair mantém a cultura tradicional há 40 anos. Situado na Rua Reverendo Samuel Brust, 365, no bairro Visconde de Araújo, foi fundado pela ilustre figura de Ivair Amado, junto com sua esposa América Amado. Após o seu falecimento, sua filha Verônica Amado assumiu o posto de tocar o boteco exatamente como seu pai fazia. “Eu fiz questão de preservar a memória que nos remete a lembranças inesquecíveis”, diz Verônica, que hoje se dedica ao boteco com seu marido, Arildo Maia Jardim, e seu filho Lucas Amado.

 

mulher comendo petisco no bar do silvio em macaé

Na época de Seu Ivair, os pratos servidos eram conhecidos como “comida de senzala”: mocotó, dobradinha, frango com quiabo, costela, galinha ao molho pardo, língua com batata e feijão sujo. Atualmente, esses pratos se mantêm no cardápio, outros passaram por releitura e surgiram alguns novos. “Hoje, temos o Sabor do Pecado (aipim, carne seca, linguiça mineira, tomate cereja e pimenta biquinho), Arrumadinho, Costela suína de Adão, bolinho de feijoada, pastéis, baião de dois, medalhão de carne do sol, pernil e bucho recheados, entre outros. Todos feitos com muito amor para agradar a todos os paladares”, revela Verônica.

 

O cardiologista Carlos Emir Mussi Júnior conhece o Boteco do Ivair desde sempre, porque seu pai era frequentador assíduo. “Sou um apreciador dos botecos de bairro e dos elitizados, porque o boteco é um lugar democrático, onde encontramos os amigos, afogamos as mágoas e dividimos momentos, seja sentado numa mesa ou no balcão de mármore. Os meus pratos preferidos são a Costela com aipim, os pastéis e o feijão amigo”. Para o médico, o que mais o agrada é a simplicidade das pessoas, de todos os tipos, cores, status, religiões. “É a diversidade, todos em harmonia. Essa é a essência e é disso que gostamos”.

 

isca de peixe do bar do silvio em macaé

Já o Bar/Boteco do Silvio, que fica na Travessa Arlindo, 20A, na Aroeira, há 14 anos tem seu público fiel para uma cervejinha gelada ao final do expediente ou no fim de semana, acompanhada, é claro, dos aperitivos super conhecidos. Segundo o dono, Silvio de Souza Cavalcanti, os clientes elegeram como carro-chefe o peixinho frito na hora. “Esse é famoso e vem gente de longe saborear essa iguaria. Além disso, temos a isca de fígado, as paneladas de frutos do mar, feijão sujo, dobradinha, moela, mocotó, cupim com carne seca, e quase 20 pratos fixos no cardápio”, explica. Junto com sua esposa Carmen Lúcia e seu filho Renan da Cunha Cavalcanti, os pratos são preparados aos olhos do cliente, num clima descontraído como se todos fizessem parte da mesma família.

 

A recepcionista Kátia Crespo é frequentadora do Bar do Silvio há 4 anos e, sempre que possível, vai prestigiar o lugar e reencontrar os amigos. “Sempre gostei de frequentar botecos e, quando gosto, volto mais vezes e viro fã. O ambiente é sempre gostoso e familiar, além dos petiscos que são maravilhosos, tudo fresquinho e feito com carinho. Meu prato favorito lá no Silvio é, sem dúvida, a isca de fígado, me arrisco a dizer que é o mais gostoso que já comi”, comenta Kátia, frisando que não há nada melhor do que aliviar o estresse com uma cerveja gelada e um petisco. “É o simples que dá certo”, enfatiza.

 

bar privadão em macaé, cliente sentado na privadaNo quesito irreverência, o Boteco Privadão, que fica na Rua Azeviche, 50, no bairro Sol y Mar, se destaca. O lugar é famoso pelas “privadas” que ficam nas calçadas, elas funcionam como bancos, onde os clientes sentam, no estilo despojado e incomum. Além disso, os caldos e cachaças também são servidos nas canecas em forma de privadas e penicos. Segundo Ivan Pavuna Zarour, que há 13 anos dirige o comércio, a ideia toda surgiu junto com sua profissão de bombeiro hidráulico.

 

“Os clientes aprovam, especialmente a variedade no cardápio: feijão sujo, mocotó, baba baby (caldo de inhame, frango e quiabo), caldo vermelho (abóbora com carne seca), bolinho de jiló, rabada, porco na areia movediça (com cuscuz), carneiro solto no pasto (com cuscuz e couve), caldo de sururu, canja de pinto e o famoso caldo de piranha, que por muitos anos, foi servido direto da garrafa térmica para o copo”, conclui seu Ivan.

 

pastel de feijoada e espetinho colorido do bar privadãoO pecuarista Emerson de Matos Costa não abre mão de curtir o clima divertido do Privadão. “O que mais me chama a atenção nesses lugares é o atendimento, a boa música e reencontrar os conhecidos, até porque é assim que relembramos histórias de família. É muito interessante conhecer pessoas que foram amigos de seus pais e avós, recordando inclusive de sua própria história. Além, é claro, dos pratos de boteco. Ivan serve uma rabada peruana que eu sempre comi achando que era proveniente da gastronomia peruana e só depois descobri que era feita de pescoço de peru. Até hoje, rimos dessa história”, se diverte Emerson.

 

Como a cultura de boteco já se espalhou pelos quatro cantos, são comuns os eventos relacionados ao tema. Em toda a cidade, é possível desfrutar de excelentes eventos como, por exemplo, o “Butecando na Orla”, festival de comida de boteco realizado pelo Polo Gastronômico dos Cavaleiros que faz parte do calendário anual. Sem contar, nos tantos  bares e botecos, como o Bar da Amendoeira, no Visconde de Araújo; o Boteco da Maristela, na Aroeira; Boteco do Wilson, no Miramar; Pega Leve e Biroska Carioca no bairro Sol y Mar; Aqui dá Samba, também no Visconde; Farol Apagado, na Aroeira; Bico da Coruja, na Imbetiba; O Esquinão, na Granja dos Cavaleiros; Bar Tô a Toa, na Imbetiba; Butiquim de Minas, nos Cajueiros, Boteco Pastelão, na Glória, Cafundó, no Bela Vista, entre outros.
 

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