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Veganismo? Vegetarianismo? Qual a diferença?

qui, 13/04/2017 - 09:23 -- Alice Cordeiro
Créditos: 
Fotos: Alle Tavares
chef de cozinha com hambúrguer vegano

Hambúrguer de shimeji, bacon de coco, espetinho de soja, kafta de shimeji e coxinha de jaca são comidas que têm ganhado cada vez mais espaço em restaurantes, lanchonetes e lojas de produtos naturais. Isso porque também é crescente o número de pessoas que não consomem carne no Brasil. De acordo com pesquisa do IBOPE de 2012, o número ultrapassou a marca dos 15 milhões. Além de cuidar da saúde, essas pessoas buscam se conectare com a natureza através de opções mais naturais e que não compactuam com a exploração animal. Entre os diferentes tipos de vegetarianos estão os “ovolactovegetarianos” e os veganos.

De acordo com a nutricionista Elizângela Valente, da Clinic Med, o ovolactovegetariano exclui o consumo de carne, frango e peixe, permitindo o consumo de ovo, leite e derivados. “Já o veganismo é um comportamento filosófico que não permite o consumo de nenhum produto de origem animal: carne, ovos, leite, mel, etc. Roupas de couro, lã e seda também são proibidas. Assim, é terminantemente proibido o consumo ou uso de produtos derivados e testados em animais”, explica, acrescentando que aqueles que consomem carne e vegetais, são chamados de onívoros.

Vegetarianos e Veganos

homem com canhorrinhoVegano, o engenheiro de produção Bruno Trigoly, de 34 anos, mudou sua rotina alimentar gradativamente a partir de 2013, quando relacionou o seu amor pelos animais ao consumo dos mesmos. “Comecei a pensar o porquê de termos carinho e cuidado com bichos de estimação e sacrificar outros animais para consumo”, conta.

Nesse período, começou a pesquisar sobre o tema e a participar de grupos veganos nas redes sociais. “Parei de consumir carnes, mantendo ovos, leite e peixes. Comecei a perder peso muito rápido, pois deixei de consumir gorduras. Pesquisei mais sobre o assunto e incluí gorduras saudáveis em minha dieta. Estabilizei meu peso e passei a fazer exames periódicos para acompanhar minha saúde. Hoje, sou vegano, pratico atividades físicas regularmente e me sinto muito bem tanto psicologicamente quando fisicamente”, detalha. 

“Ser vegano é aplicar o conceito da dieta em todos os momentos da vida. É deixar de consumir qualquer produto de origem animal ou que tenha sido testado em animais, sejam eles alimentos, vestuário, cosméticos e até mesmo em práticas esportivas. É a tentativa de minimizar o impacto da exploração dos animais”, conta Bruno. mulher vegetariana almoçando

Vegetariana desde 2015, Djulyan Passos diz que demorou um ano para concluir a transição para a filosofia vegana. “Desde criança, nunca fui muito fã de carne. Comia por imposição da minha mãe, mas sempre em pouca quantidade. Na fase adulta, mais consciente de como meu corpo reagia aos alimentos, parei de consumir leite e, em 2015, decidi parar de comer carne. Comecei cortando carne vermelha, depois frango e peixe, mas eu ainda estava apegada ao queijo e ao ovo. Nesse ponto, eu já tinha bastante informação tanto sobre a crueldade da indústria com os animais, as consequências desastrosas que essa indústria causa ao meio ambiente, e também os malefícios para o organismo humano. Então, não tinha mais como me sentir bem consumindo os derivados. Foi aí que parei. Entrei em janeiro de 2016 sem consumir alimentos de origem animal”, comemora.

Participantes dos mesmos grupos de veganos nas redes sociais, Bruno e Djulyan decidiram criar uma página sobre o tema, no facebook, o Macaé Vegan que oferece dicas e informação sobre locais onde vende produtos veganos na cidade.

Vegetarianos “ovolactovegetarianos”

Vegetariano desde o nascimento, Ishina Giarola, de 29 anos, conta que cresceu em uma família “ovolactovegetariana”. “Com o passar dos anos fiz a minha escolha em continuar vegetariano. Após muita pesquisa e estudo sobre o tema, cheguei à conclusão de que essa seria a melhor maneira de me alimentar”, diz.

Chef de cozinha há 9 anos, sendo mais da metade dedicados exclusivamente à cozinha vegetal, Ishina explica que a culinária faz parte do seu dia a dia desde pequeno. O interesse por fazer disso sua profissão surgiu quando se mudou para a Nova Zelândia e teve a oportunidade de trabalhar na cozinha de um hotel. “Fui me apaixonando pela gastronomia e tudo que envolvia o preparo dos alimentos, consegui então a oportunidade de trabalhar como chef e aprender a profissão através de um programa de estudos dessa rede de hotéis, cursando culinária e hotelaria. A escolha pelos ingredientes vegetais é simplesmente afinidade, é o que eu como, o que gosto de cozinhar e são ingredientes que me sinto à vontade para trabalhar, além de acreditar ser esse o futuro da culinária e alimentação”, explica o chef e sócio do bistrô vegetariano Puro e Simples, localizado no Sana, na região serrana de Macaé, e do Gastronomia Veg, onde presta consultorias, workshops e serviços de personal chef.

“Nos dias de hoje, muitos estão curiosos e procurando esse tipo de alimentação, buscando novos sabores e experiências. Mais de 95% do público que frequenta nosso restaurante é onívoro, porém apreciam nossa comida e não se incomodam pelo fato de não utilizarmos carne no cardápio, pelo contrário, a maioria se interessa ainda mais pela comida através do sabor que os vegetais podem oferecer”, detalha Ishina.

mulher vendendo comida veganaDe olho nesse mercado, o casal Pollyana e Jonatas Vasconcelos lançou em julho de 2016, a “Viver de Vida”, marca especializada em gastronomia vegana, também livre de glúten. Apesar do pouco tempo de mercado, a empresa já conquistou a clientela. As receitas da Viver de Vida agradaram o público macaense, carente de produtos caseiros. Hoje, são sete lojas que comercializam as quatro receitas da empresa, todas congeladas, prontas para serem consumidas em casa. A marca ainda oferece os produtos em Rio das Ostras e Barra de São João.

“Somos vegetarianos em transição para o veganismo. Por isso, percebemos a dificuldade de encontrar produtos específicos. A maioria é industrializada. Assim, preparamos um estúdio equipado para a confecção e desenvolvimento das receitas. A estratégia é sempre lançar produtos novos e com sabor caseiro”, revela Pollyana, ressaltando que já recebeu muitos feedbacks positivos. “Começamos a receber ligações de lojas que queriam comercializar nossa marca e percebemos que atendemos também os consumidores de carne, pessoas que estão abertas a experimentar e que quebram os paradigmas de que ser vegano é comer apenas alface”, brinca, destacando que no cardápio estão lasanha com carne de soja, lasanha com brócolis e espinafre, pão de beijo (feito com batata-doce) e falafel de grão-de-bico.  

Acompanhamento nutricional

mãe e filha comendo saladaTambém vegetariana, a pediatra Michele Thomaz, de 39 anos, revela que recebeu essa herança de sua mãe. “Apesar de não comer carne, minha mãe nunca deixou de nos oferecer. Tanto que meus três irmãos comem. Mas eu nunca fui fã. Até os 15 anos, eu comia carne esporadicamente, com 20 anos parei de comer frango devido à quantidade de hormônios que a indústria injeta nos animais e peixe, eu comia de vez em quando. Em 2010, fiz um curso de técnicas de meditação e respiração e eles aconselham a não ingestão de carnes. Assim, eu fui perdendo ainda mais a vontade e parei de vez”, lembra.

A ausência de carne no organismo pode acarretar deficiências de vitamina B12 e ferro, caso a alimentação não seja adequada. No entanto, a nutricionista Elizângela Valente, explica que existem ótimas fontes proteicas a partir da combinação de cereais e leguminosas. “Um exemplo excelente é a nossa combinação mais famosa, o arroz e feijão. Se a pessoa for acompanhada por um médico ou nutricionista terá uma vida normal. A importância do acompanhamento é evitar deficiências de ferro e B12, que quando necessário, devem ser suplementadas”, alerta.

medica elizangela terravalente“Faço acompanhamento nutricional e procuro sempre variar o meu prato, fazendo importantes e diferentes combinações proteicas. O importante é comer mais variedades e não maiores quantidades, pois assim como os onívoros, vegetarianos e veganos também podem fazer escolhas certas e erradas”, explica Michele Thomaz.

Preconceito

Apesar de relatarem poucos casos de preconceito, veganos e vegetarianos explicam que ele ainda existe. “Ainda sinto o preconceito, mas isso não é algo que me atinge. Entendo que é uma quebra de paradigma, mas o que me marca é o carinho que recebo quando meus amigos e familiares fazem comidinhas veganas para mim. Isso me deixa profundamente feliz!”, confessa Djulyan, ressaltando que essa é uma escolha sem volta.

Para Bruno, eventos sociais como aniversários e casamentos são os maiores desafios, pois não existem opções veganas no cardápio. “Quando vou a eventos assim, procuro comer antes de sair de casa. Já em eventos com amigos, levo minhas opções veganas. Os restaurantes já estão percebendo a necessidade de mudar e, quando não existem opções que me atendam converso com o chef que não se incomoda em me atender”, conta.

Michele Thomaz acredita que ser vegetariano não é mais motivo de estranhamento ou chacota. “As pessoas admiram cada vez mais quem não come carne. Acredito que o respeito tem que vir de ambos os lados, pois também existe aquele vegetariano ou vegano que critica aqueles que consomem carne”, conta, mencionando que essa opção não atrapalha sua vida social. “Em churrascos, por exemplo, levo meu prato vegetariano e, geralmente, ele é o primeiro a acabar, todos querem provar”, diz, acrescentando que está sempre em busca de novas receitas.

“Acredito que estas opções alimentares não são modismos. São opções que vieram para ficar e com forte potencial de alcance, pois escolhas que favoreçam o meio ambiente, a melhor convivência, o menor impacto social e ambiental serão cada vez maiores no cenário global. Com mais acesso à informação e liberdade de pensamento, as pessoas estão fazendo mais escolhas nesse sentido”, finaliza o chef Ishina Giarola.

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