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Uma ideia na cabeça e uma startup na mão

sex, 25/09/2015 - 11:55 -- Leila Pinho
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Créditos: 
Alle Tavares
homem em frente ao computador e notebook

Começa com uma boa ideia, pouco dinheiro para investir e muita vontade de fazer acontecer. Essa turma se inspira em ícones da tecnologia que revolucionaram a forma como nos relacionamos com as pessoas e o mundo, por meio dos aparatos high tech. São ainda pequenos, mas pensam grande. Eles planejam, testam e dão uma lição de estímulo para implantar o novo, acreditando quando o resto duvida.

impressora 3d imprimindo
Aqui em Macaé e região tem grupos apostando firme em inovação, criando startups tecnológicas. As startups são empresas inovadoras ligadas ao desenvolvimento de projetos, que geralmente envolvem equipes enxutas, muitos jovens e baixo capital de investimento.

 

Assim surgiu a Solid Solutions, empresa de impressão 3D que fica em Rio das Ostras. O embrião do projeto brotou na cabeça de Murilo Medina, estudante de engenharia mecânica da UFRJ Macaé, de 19 anos, quando assistia a uma conferência pela internet, sobre impressão 3D. “Poder criar suas ideias, transformar num desenho e materializar isso é surpreendente. Essa capacidade de materializar coisas deixa a gente apaixonado”, fala Murilo. Empolgado, o universitário procurou auxílio para transformar o que estava na cabeça dele em realidade e no caminho encontrou Flávio Vallejo, engenheiro que fazia doutorado sobre impressão 3D, de 29 anos. Eles se uniram, convidaram o também estudante de engenharia mecânica Bruno Magdalão, de 21 anos, e criaram a Solid Solutions. Em 4 meses, eles se organizaram, compraram a impressora 3D, o mobiliário para o escritório e estão imprimindo vários objetos. O tipo de impressão que essa turma trabalha utiliza um plástico biodegradável, de cores diversas. Hoje, a empresa conta também com a estudante de administração Adriana Almeida, de 27 anos.

Nesse universo de inovação, errar é parte do processo. Segundo explica Flávio Vallejo, muitas peças foram impressas em base de testes, seguindo a máxima do aprender fazendo. Atualmente, a equipe já atende demandas reais. “Fizemos o busto da Anna, do filme Frozen, suportes para controles de videogame, o logotipo de uma empresa e dois acessórios para câmera fotográfica Go Pro”, fala Bruno.

pessoas que trabalham em empresa de impressão 3dDiferente da startup de impressão 3D, a iniciativa do engenheiro de produção, analista de sistemas e estudante de administração Glaydson Maurílio Nascimento Silva, de 40 anos, ainda está em andamento. Ele está gerando um software e aplicativo direcionado para consumidores e empresários. O ponto de partida para a criação surgiu de uma experiência própria em um restaurante de Macaé. Vendo uma pessoa reclamar sobre o serviço, ele se questionou se o dono da empresa receberia essa informação para melhorar o atendimento. Então, Glaydson pensou que aquele problema comum poderia ser amenizado se houvesse uma forma de fazer a opinião do cliente chegar a quem gerencia o negócio.

Essa interface é a ideia central do Controle de Melhora de Qualidade, o software e aplicativo que ele está criando. Funciona assim: o cliente está na loja e quando recebe a conta há um QRCode para baixar o aplicativo. No aplicativo, há vários estabelecimentos credenciados ao sistema. Pelo GPS, o telefone identifica em que loja o cliente está, então ele é convidado a avaliar alguns aspectos do atendimento do local e recebe, em troca, um bônus para usar em alguns estabelecimentos credenciados. Para os empresários, a vantagem está em receber as avaliações dos clientes de forma organizada, com estatísticas e dados prontos para ajudar na tomada de decisões.

 

Segundo Glaydson, o software já está pronto, mas o aplicativo ainda não e deve ser finalizado até o fim deste ano. “Fiz contato com alguns estabelecimentos, informalmente, e vejo que são receptivos à ideia. Eles querem saber se a empresa deles tem bom valor e se interessam pela facilidade como tudo vai funcionar”, ressalta Glaydson. Ele vai buscar parceiros em Macaé, empresários de vários nichos do comércio para implantar o projeto. E adianta “o software está preparado para funcionar em qualquer lugar do país”.

 

Inovar é pensar fora da caixa

 

Enquanto várias startups tecnológicas surgem em grandes centros do Brasil afora, Macaé e cidades da região vivem uma realidade ainda bem distante, com pouco ou nenhum incentivo.

Os idealizadores da Solid Solutions e do Controle de Melhora da Qualidade estão pensando fora da caixa e já começam inovando porque enfrentam dificuldades, um mercado de incertezas, onde ainda não existe uma cultura de empreendimentos tecnológicos.

“Tem uma frase do Jobs que gosto muito, ele diz que as pessoas não sabem do que precisam até que você mostre a elas”, fala Glaydson. “A demanda por impressão 3D aqui não existe porque as pessoas não conhecem e isso não faz parte do cotidiano delas. Então, temos que despertar o mercado”, pontua Flávio Vallejo.

No contexto mundial, a tecnologia 3D não é tão nova assim. Foi criada em 1984 e, em alguns países, já é mais predominante no cotidiano de pessoas e empresas. No caso da Solid Solutions, os quatros jovens estão apostando na cara popular que estão dando à impressão 3D. Eles querem atingir pessoas, também, com necessidades comuns como impressão de objetos de decoração. Nesse aspecto, eles acreditam estar inovando com a perspectiva de popularizar o acesso à tecnologia.

 

Sistemas de bonificação e de opinião do consumidor também já existem, como o trivago (buscador de hotéis com avaliação dos clientes) e o Bonuz (aplicativo de bonificação das redes como Spoleto e Koni Store). Glaydson faz uma analogia para explicar o que há de inovador na iniciativa dele. “Já existia o sms (para envio de mensagens) e o mms (para envio de mídia). A grande sacada do WhatsApp foi juntar texto e mídia, tudo num lugar só. No meu projeto, estou fazendo a mesma coisa, juntando a parte de avaliação, bonificação e gestão num sistema só”, fala Glaydson.

 

Macaense prodígio, de 17 anos, cria rede social

 

rapaz com seu notebookEmanuel Salvatore, de apenas 17 anos, faz parecer quase um passatempo despretensioso a árdua tarefa de criar uma rede social. Ele, que é macaense, criou a socialfriends10.com que conta com mais de 800 mil usuários, grande parte deles da Europa. Impressionante, ele fez tudo isso sozinho e levou cerca de 4 anos para finalizar a rede. O garoto aprendeu linguagens de programação vendo vídeos e lendo tutoriais na internet, muitos deles em inglês, mesmo sem dominar a língua. E não parou por aí.

 

Também criou o site megacloudy10.com, de armazenamento de arquivos. E já tem em mente a criação de outra rede social, voltada para animais. “Estou querendo botar um design show, já estou pensando onde vão ficar as funções e tudo o mais”, conta Emanuel.

“Meu sonho é deixar a minha rede social no topo e fazer todo o mundo conhecer. Vou estudar ciências da computação e quero sair do Brasil. Vou para o Vale do Silício - região que fica na Califórnia (EUA), onde estão as grandes empresas de tecnologia do mundo como o Google, o Facebook e a Apple - quero buscar investidores lá”, diz Emanuel.

 

Ele planeja sair do Brasil porque sente na pele a dificuldade de manter seus projetos e sonhos vivos. Os sites que ele criou são mantidos por ele e a família, com custos de hospedagem e servidor. Emanuel ainda não conseguiu uma forma de comercializar a rede social que criou e depende de mais recursos pra prosseguir. “Teve um dia que 100 mil pessoas tentaram entrar, ao mesmo tempo, na socialfriends10 e o servidor caiu. Eu acredito que cerca de R$ 25 mil em investimentos iam me ajudar a comercializar o site, mas conseguir esse valor aqui em Macaé é difícil.”

Emanuel busca inspiração em Steve Jobs (co-fundador da Apple) para persistir. “Ele criou a Apple na garagem de casa, quando também era jovem. O investimento dele era de risco. Ele enfrentou muitas dificuldades para conseguir o que queria. E, hoje, a Apple é a Apple”, finaliza.
 

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