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Entrevista com Marcelo Reid, o Merrel

sex, 30/09/2016 - 10:51 -- Leila Pinho
Créditos: 
Fotos: Alle Tavares
marcelo reid, merrel na firjan em macaé

Formado em ciências econômicas e muito conhecido em Macaé como proprietário de uma corretora de seguros, Marcelo de Almeida Vianna Reid, mais conhecido como Merrel, preside a Comissão Municipal de Empresários de Macaé da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) – Representação Regional Norte Fluminense, num dos momentos mais críticos da indústria do petróleo. Com longa experiência profissional de participação em entidades locais de diversos segmentos, Merrel construiu conhecimento amplo sobre o comércio, a indústria e as forças da economia local. Ele já passou pela Associação Comercial de Macaé (ACIM), pelo Macaé Convention & Visitors Bureau e foi conselheiro da Firjan Regional Norte Fluminense. 

Nesta entrevista para a Revista DiverCidades, Merrel fala sobre as principais pautas da indústria, as soluções dos problemas de infraestrutura para atender a logística offshore, a obra na pista do aeroporto para o retorno dos voos comerciais e a urgente necessidade de desburocratizar os processos na prefeitura de Macaé, para que novas empresas se estabeleçam na cidade.

DiverCidades: Como funciona a Comissão Municipal de Empresários de Macaé e quais são os temas mais debatidos pelo empresariado?

Merrel: Somos ligados à Regional Norte Fluminense e fazemos um trabalho de apoio para ela. Essa comissão existe desde 2001. Temos uma reunião mensal e discutimos todo item necessário para o desenvolvimento econômico sustentável da cidade. Aqui se discute infraestrutura, educação, política pública, segurança, e várias outras coisas. Já discutimos sobre a BR 101, com relação à ampliação de pista, sobre o Porto de Macaé (a primeira apresentação oficial do porto foi feita aqui). Além dos empresários, nós temos participação do poder público, sempre tem um representante nessas reuniões.

DiverCidades: Que ações mais concretas, discutidas nestas reuniões, já tomaram forma?

marcelo reid, merrelVou citar algo bem simples. Lembra que as carretas viviam agarrando ali naquela pista em frente à Viana Offshore (no Novo Cavaleiros)? Aquilo foi discutido aqui, então elevou-se o grade (grau) da pista. Uma obra simples que resolveu um problema antigo de Macaé. Tivemos melhorias nos semáforos e o alargamento da Rodovia Amaral Peixoto dentro da cidade – da Petrobras até a Lagoa. Na questão da duplicação da BR 101, não se previa um trevo entre as duas termelétricas (Mário Lago e EDF Norte Fluminense). Elas ficam situadas entre os trevos dos 40 e Macaé/Glicério e a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) não previa nenhum acesso ali naquele local. E quando se tem duas termelétricas num espaço deste, uma colada com a outra, tem que se preocupar com a segurança nacional. Se acontecer algum incêndio ou emergência, para fazer um atendimento seria necessário se deslocar 17 km (distância entre a EDF e o trevo de Glicério) e 7,5 km (distância entre a Mário Lago e o trevo dos 40). Logo, ali tem que ter um viaduto porque se precisar transportar um ferido, como pessoas queimadas, tem que ter um acesso mais rápido. Fizemos uma carta fazendo uma defesa sobre este trecho para a ANTT e tivemos informações de que a solicitação será atendida. O aeroporto também. Já fomos a Brasília discutir o aeroporto. Hoje, o terminal de passageiros está sendo construído e tem um projeto pronto para a pista. A obra mais importante pra gente, no aeroporto, é a pista. Tem um ano que estamos sem voos comerciais em Macaé. A empresa que operava aqui teve que encerrar os voos porque a pista não era compatível com aviões mais pesados. A visão da Firjan é que a gente precisa intensificar não só a questão da pista para aeronaves offshore, mas também para os voos comerciais.

DiverCidades: De que formas é possível, para as indústrias, atenuar os impactos do momento delicado de cortes de investimentos?

Precisamos de um esforço em conjunto. Primeiro, que as esferas públicas (federal, estadual e municipal) criem ferramentas para que a gente consiga passar por essa crise. Uma das grandes discussões que trazemos para cá é buscar no Congresso as aprovações para as medidas estruturais que são o ajuste fiscal, teto com gasto público, reforma da previdência e flexibilização das leis trabalhistas, porque só assim conseguimos atrair novos investidores. Não dá pra falar em crescimento sem atrair investimentos. O Brasil precisa ofertar esse caminho fértil. O empresariado sofreu bastante com a crise e ninguém esperava que ela viesse na velocidade que veio. A indústria está se reestruturando e repensando o futuro no que se refere aos investimentos. Estamos vivendo a maior crise da indústria no Brasil, dos últimos 20 anos, no geral e não só do petróleo.

DiverCidades: Quais são os desafios que Macaé enfrenta hoje para conseguir acompanhar as demandas da indústria de óleo e gás?

A maior parte deles é de infraestrutura. Macaé precisa aproveitar esse momento justamente para melhorar a infraestrutura. Temos que estar preparados. A logística offshore hoje é importantíssima para manter Macaé na vanguarda da indústria de óleo e gás. Este é um pensamento da Firjan de longa data. E os pontos principais são: o porto, o aeroporto, a estrada de Santa Tereza, a BR 101. Essas obras todas precisam ser consolidadas. É um pacote de obras que já está mapeado e tem que sair do papel.

DiverCidades: O que os governos têm feito para minimizar esses impactos na cadeia produtiva de óleo e gás?

Teve uma ação de suma importância (governo municipal), no ano passado, com total aprovação nossa, que foi o subsídio voltado para o segmento offshore com a redução do ISS (Imposto Sobre Serviços) — de 25% — e isenção do IPTU — para empresas com 60% de mão de obra fixa residente em Macaé. Vimos isso com bons olhos. O governo ouviu os empresários e saiu na frente. A Firjan pensa nas indústrias, mas também se preocupa com os pequenos e médios negócios que trazem uma empregabilidade significativa. Logo no início do governo (federal), tivemos uma demanda aprovada que é a Lei 123/2016, para que as pequenas empresas possam participar do processo de compra governamental nas prefeituras, para valores até R$ 80 mil. Se a gente conseguisse de fato que essa lei funcionasse na sua totalidade, nós teríamos um cenário de fôlego novo para as empresas locais.

DiverCidades: E o que ainda pode ser feito?

Dar celeridade aos processos de licenciamento ambiental para os novos empreendimentos. É muito lento. O licenciamento ambiental, a liberação de alvarás, isso é fundamental para que a economia possa crescer. Precisamos desburocratizar para atrair novas empresas para nossa cidade.

DiverCidades: Quais são as perspectivas que a Firjan faz para o cenário de Macaé, nos próximos dois anos (2017-2018)?

marcelo reid, merrelA gente acredita que o mercado já começa a mostrar uma mudança, um novo caminhar. Porém, sabemos que começa muito vagarosamente. Não acreditamos que Macaé vai voltar a ter a pujança de 40 anos. Acreditamos na nossa cidade, mas o momento é de repensar e não tem otimismo muito grande. As empresas que estão chegando depois da operação Lava Jato estão vindo também com muita cautela. A gente vê que tem muitos contratos milionários que foram feitos com muita gordura, muita propina. O mercado começa a se reorganizar com relação a isso e inclusive a dar oportunidade a outras empresas de fecharem grandes contratos. Precisamos que esse mercado se ajuste ao longo do tempo e acredito que, em 2 ou 3 anos, começaremos a retomar as rédeas da economia local. Converso com vários economistas e todos eles estão tendo muita cautela em fazer comentários sobre a crise e perspectivas.

DiverCidades: Qual é o posicionamento da Firjan frente ao projeto de lei que altera a exclusividade da Petrobras em atuar no Pré-sal, ou seja, a quebra do monopólio?

A Firjan é totalmente a favor. A lei é de autoria do José Serra, mas foi pensada com vários segmentos do setor e discutida com empresários e entidades, entre elas, a Firjan, a Abespetro e Onip (Organização Nacional da Indústria do Petróleo). Essas entidades foram convidadas a participar do desenho desta lei. Acreditamos que, na nossa região, na Bacia de Campos, temos potencial muito grande nos campos maduros e a gente vê que a Petrobras hoje tem plano estratégico que trata muito o pré-sal, mas não trata o pós-sal. Acreditamos que a Petrobras não tenha capital para investimento para que essa indústria retorne. Se a lei passar, tem várias empresas no mercado como a Shell, a Chevron que podem vir a fazer essa exploração. E voltamos àquela mesma questão: sem investimento não tem crescimento.
 

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